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Crítica | Game os Thrones 08×03

A Grande Guerra chegou! Após dois episódios introdutórios, onde alguns arcos entre personagens ainda precisavam se fechar, o Norte se prepara para enfrentar o medonho exército dos Caminhantes Brancos.

Este foi o episódio mais longo da temporada com uma duração de aproximadamente 86 minutos, e esse tempo é quase todo preenchido com cenas de lutas intensas e descontroladas, cenas que definem o futuro de certos personagens e cenas extremamente marcantes.

Cuidado, o que vem a seguir contém spoilers!

O episódio A Longa Noite era esperado há anos pelos fãs da série, diga-se de passagem, o arco mais importante da produção. E o que foi prometido como a batalha mais longa e mais ousada da televisão e do audiovisual, foi cumprido com sucesso.

Inclusive, algo que chama a atenção neste episódio é a cinematografia e a sua brilhante direção de fotografia. Em seu começo, cores azuis e pretas mais borradas preenchem a tela, não mostrando por completo o que se passa na arena de combate, e depois, o clima muda drasticamente para cores mais fortes, como laranja, vermelho e amarelo, mostrando como a arena já se converteu num ambiente sangrento e carniceiro.

Talvez o ponto mais negativo deste episódio tenha sido a iluminação que foi uma falta da grave por parte da produção. As filmagens desse episódio duraram mais de 50 dias e foram gravadas apenas durante as noites, em locações abertas. Diante disso, houve uma pequena falta de iluminação que provocou muita confusão e não satisfez muito bem o espectador.

Para a história, esse elemento é poético, mas visualmente ficou a desejar. As cenas ficaram tão mal iluminadas que chega a ser difícil discernir um personagem do outro, ou nas cenas dos dragões, quando não se sabia quem era quem.

Infelizmente, personagens grandes como Daenerys e Jon Snow não contribuem tanto para o desfecho desta batalha. Muitas cenas são centradas nos dois no meio da arena de combate, mas apenas servem para exprimir atenção do público, que acreditava ver um destes realizando algo importante.

Em contrapartida, as cenas com os dragões foram as mais belas de todo o episódio. Enquanto Jon e Dany se esforçavam para enxergar e localizar o Rei da Noite – assim como o público – a dança dos dragões entre as nuvens com a luz do luar formam uma cena lindíssima, mas que serviu apenas para trazer um certo alívio às cenas sufocantes da guerra.

O ritmo da batalha também é incrivelmente bem montada, trazendo sequências grandes com intervalos de cenas introspectivas. Tudo isso para não cansar o espectador com mais de uma hora apenas de batalha.

Essa técnica também favoreceu na intercalação dos personagens, dando espaço suficiente para todos eles. Nisso vemos muito mais de Melisandre, Theon, Jorah e Lyanna Mormont, que simplesmente roubaram a atenção de todo o episódio.

Além destes, vemos em ação personagens como Beric, Sandor Clegane, Brienne de Tarth e Jaime Lannister, que compõem cenas de lutas emocionantes. Sansa Stark e Tyrion Lannister também aparecem e até ganham um diálogo interessante, mas não brilham. Algo que fica marcado é o olhar de desespero e incerteza sobre a vitória da batalha que os dois trocam, enquanto uma música lenta encorpa a cena.

A Longa Noite trouxe muito caos, milhares de mortes e chegou a trazer certa incerteza se o bem venceria o mal. Mas logo isso foi dissipado com o que seria a maior cena de todas, mas na verdade acabou sendo a maior surpresa da série.

Com a guerra quase perdida, a solução aparece literalmente nos 45 do segundo tempo, e apesar de ser uma ninguém, a heroína tem nome: Arya Stark. Ela já havia entregado alguns momentos brilhantes no episódio antes de dar o golpe fatal no Rei da Noite.

A cena com a Arya apunhalando o Rei da Noite é de longe a mais empolgante, mas é um final fácil demais para um personagem que prometia muito. Nesse ponto também temos Bran e sua ligação complexa com o Rei da Noite, que ficou sem explicação. A série se preocupou em enfatizar que os dois tinham algo misterioso, e quando finalmente os dois ficam face a face, temos apenas uma troca de olhares e pronto.

Com isso, temos o fim da Longa Noite, que em termos gerais, foi mais rápida do que longa e não cumpriu com mentado do que havia prometido ao longo de oito anos de série. Mas agrada na medida certa.

A esperança agora está na guerra que vem em seguida. Uma prévia do quarto episódio da temporada final mostra Daenerys falando que esta Guerra foi vencida, e que agora eles vencerão a segunda e última, contra Cersei e seu exército, o que significa que a tensão apenas começou.