Música

Crítica | In The End – The Cranberries

Após a morte da vocalista Dolores O ‘Riordan, o The Cranberries lançou nesta sexta-feira (26), o álbum póstumo In The End, que marca a despedida de um dos vocais mais brilhantes do rock alternativo.

O disco vem para consolidar de vez a carreira da banda no cenário musical em um projeto ambicioso e honesto, com arranjos que valorizam principalmente a história da banda.

Com uma decisão difícil dos membros Mike HoganNoel Hogan e Fergal Lawler em seguir com a banda depois da trágica morte de sua vocalista, o grupo consegue entregar um disco fascinante e cuidadoso.

Um dos pontos mais fortes do álbum, como de praste, é o vocal de Dolores O’Rordan que torna todo o disco emocionante. As faixas potencializam todo o talento vocal da cantora de forma crua, como um elemento chave que aproxima o ouvinte ainda mais dos sentimentos das músicas.

A impressão que fica é como se pudesse voltar aos anos 90, pois o álbum possui uma ligação muito forte com os elementos usados em trabalhos passados. Apesar de In The End ser um álbum de despedida, esse fator início e fim é o combustível que leva o disco a sua grandeza.

Todo o álbum se conversa, entre o timbre e os arranjos, como uma poesia melancólica e nostálgica. Destaque disso é All Over Now,” Wake Me When It’s Over”, e “Got It” que traz a genuinidade da banda que conhecemos há 26 anos atrás.

O que mais impressiona é que In The End usa de artifícios simples e modestos para um último trabalho. Não há tristeza e nada que force o ouvinte a ir as lágrimas, como também não há nada de novo, além da atmosfera de saudade que o disco deixa. Então, não procure por algo que não exista, o álbum é o que é na sua essência e significação.

Porém, se você tiver uma ligação emocional com a trajetória da banda, é impossível não se comover, pois se trata de um grupo que marcou toda uma geração de fãs por todo o mundo.

In The End veio para encerrar, mas também para somar, e lembrar do que fez The Cranberries se tornar um dos grupos mais queridos por décadas. Um tributo a altura do que a banda construiu e sempre será para seu fãs, uma viagem pelo tempo que traz calma e alegria na medida certa.

Dolores O’Riordan morreu em 15 de janeiro de 2018, aos 46 anos, em Londres.